Ele toca baixo e violão, mas diz que, na verdade, o seu maior instrumento é a voz, com a qual fala aos corações, durante os shows da banda. Antes de qualquer coisa, um pregador, Eraldo Mattos afirma que a música é um artefato da profecia que carrega consigo: “a profecia está acima da música e é isso que eu levo e sigo pelos caminhos de Deus”.
Vindo de uma família em que havia vários músicos profissionais, desde os 7 anos começou a aprender violão, motivado pelas guitarras que via na TV. Porém revela que seu contato com a música vem da mais tenra idade: “tenho uma foto com 3 anos de idade, tocando violão, assim, naquele estilo todo, né? Acho que eu já tinha uma veia artística” (risos), brinca.
Paulistano, nascido no dia 5 de julho de 1953, foi influenciado indiretamente pelos Beatles e outras bandas estrangeiras da época, como Uriah Heep, Grand Funk, Steppenwolf, Gentle Giant, Deep Purple, entre outras. Mas por que indiretamente? Ele explica: “naquela época, as músicas importadas demoravam muito a chegar ao Brasil. Então a gente conhecia essas músicas através de bandas de baile brasileiras que tocavam esse repertório”. Entre os 16 e 17 anos de idade, participou de algumas bandas de garagem. Depois, já na igreja, tinha um ministério de música na paróquia. Certa vez, perguntou ao padre porque as músicas da missa eram ruins. O padre então respondeu: “porque ninguém faz melhor”. A partir daquele dia, Deus plantou uma semente que o inquieta até hoje: música católica de qualidade.
A primeira banda profissional da qual ele participou foi o Cristoatividade, considerada a primeira banda da música católica a gravar um CD de Rock. Num tempo em que não existia a concepção de artista católico e que as próprias bandas pagavam o som e as despesas dos shows, o Cristoatividade, capitaneado por Eraldo Mattos, revolucionou a música católica, impulsionou o início de carreira de muitos músicos católicos e abriu caminho para outras bandas gravarem seus discos. Até hoje o maior sucesso composto por Eraldo Mattos é, sem dúvida, Sangria. Sucesso tanto em sua versão original, com o Cristoatividade, quanto na regravação feita pela banda Rosa de Saron. A banda terminou, mas ficou o sentimento de missão cumprida.
Torcedor do Corinthians e do Flamengo (pois morou alguns anos no Rio de Janeiro), Eraldo se descreve, acima de tudo, como um cara que busca servir a Deus e se revela político no que diz respeito a futebol: “eu torço por todos, porque sou do time do amor” (risos). Sincero e bem-humorado, ele diz que não se importa com o que as pessoas pensam dele e que busca ser fiel a Deus na sua maneira de agir. “Se Jesus estivesse preocupado com seu marketing pessoal não teria subido a Jerusalém. Acho que também subo meu calvário todo dia. Eu me preocupo muito mais com a minha missão do que com a imagem que estou deixando para trás. Um dia tocando um tipo de música, outro dia tocando outro tipo, mas nunca deixando calar a profecia que o Senhor me deu para proclamar e da qual eu prestarei contas”, conclui. |