28/07/2008 - Sai da frente que eu quero passar!
Sou da época em que banda católica, quando saía em missão, fazia campanha para custear as despesas ou bancava do próprio bolso. Do tempo em que show não dava lucro, que o músico católico sonhava em ver um instrumento importado.
Categoria:
Música Católica
Eu tive a graça de acompanhar todo o processo de nascimento e “revolução” da música e do músico católico. Posso ficar em paz e sossegado, porque dei minha contribuição.
Quando ainda nem se falava em estabilizar a música católica, eu já ousava em novos projetos evangelísticos com ela. Ajudei e posso dizer que fui pioneiro na implantação do “som pesado” na Igreja Católica, no uso da distorção. Não que isso fosse uma distorção (hehe), mas era o início de uma nova fase.
Sou da época em que banda católica, quando saía em missão, fazia campanha para custear as despesas ou bancava do próprio bolso. Do tempo em que show não dava lucro, que o músico católico sonhava em ver um instrumento importado. Hoje, graças a Deus, tudo está diferente. O músico católico, quer queira quer não, tem seu espaço, assumiu seu lugar de ministro, de profissional de Deus e tantos outros adjetivos, criou hierarquias para cantar e tocar.
Mas com tudo isso, com toda a dificuldade que passamos lá atrás, sinto uma injustiça no ar e tenho de gritar: sai da frente e deixa o “resto” da Igreja passar... Como? Dê uma olhada nas paróquias e comunidades: onde estão os outros artistas de Deus? Cadê os pintores, o pessoal das artes, da dança, do teatro, da fotografia? Que me desculpem meus irmãos músicos, mas eles estão atrás de nós, aguardando uma mãozinha.
Tenho visto gente dando a vida por uma arte, para evangelizar, e nem mesmo o pessoal da música os apóia. Tenho visto gente com talento para a pintura fazendo quadros que evangelizam, que transmitem a vida de Jesus na sua beleza. Tenho visto grupos de teatro com peças inteligentes e ensaiadas... Mas só quem “tem vez” são os músicos... Estou reclamando comigo também.
Eis que é chegada a hora de abrirmos as portas de nossas comunidades para um novo vento de artes, um tempo de buscarmos entender outras formas e expressões de arte e, com elas, evangelizar.
Será que não existem “Anjos de Resgates”, “Eugênios” ou “Dungas” nas outras artes? Será que só a música tem vez? Não creio. Vamos lá, músicos, vamos ajudar. Lembrem que talvez muitos artistas anônimos deixaram sua arte sufocada para que vocês tivessem um espaço. Que tal sufocar teu “sucesso” em prol dos novos?
Onde estão vocês, novos? Levantem da tumba e venham para Cristo... Aguardamos a arte o carisma de vocês. A diversidade e a pluralidade nos fazem crescer.
Bem-vindos, novos tempos...
Eraldo Mattos